7 de agosto de 2009

O VITOR VIU... UM ROMANCE DE GERAÇÃO (Brasil, 2008 – dir: David França Mendes - roteiro: David França Mendes e Sérgio Sant’anna


Adaptação da obra homônima de Sérgio Sant’anna, o filme mantém-se fiel, sobretudo ao caráter híbrido do livro ao misturar ficção e uma espécie de documentário que segue simultaneamente ao desenrolar da trama. A ideia de mesclar o processo de criação do filme, mostrando a leitura e depoimentos de elenco, direção e também do autor do romance é interessantíssima. O resultado é uma obra absolutamente original e envolvente, que cativa instantaneamente o espectador ávido por novidades.

A ação se passa numa noite em que o escritor Carlos Santeiro (Isaac Bernat), que escreveu apenas um livro e encontra-se no auge de seu hiato criativo, recebe a visita em seu apartamento de uma jornalista, vivida ao mesmo tempo por três atrizes. Esse instigante jogo de sedução, de esconder e de desmascarar repleto de humor ácido em que os personagens deixam transparecer todo o patético e angustiante de suas vidas.

As participações do diretor e do autor do livro são mais do que um charme especial. Elas casam-se perfeitamente e dão todo o clima festivo somando positivamente ao ótimo elenco. Isaac Bernat, o protagonista, é adoravelmente detestável e alcança perfeito equilíbrio entre o cinismo, a gaiatice e a angústia. As três atrizes vivendo o mesmo papel promovem uma espécie de competição em que todas ganham. As três, cada uma ao seu estilo, estão ótimas e luminosas em cena nos mostrando a importância da escolha da atriz para viver uma personagem, já que se mostram completamente diferentes em cena: na pele de Susana Ribeiro, a jornalista ganha ares de doçura e leveza; Nina Morena solta fogo pelas ventas numa composição mais vigorosa; e Lorena da Silva, a mais louca e irreverente das três, faz um interessante jogo de espelhos com o protagonista, quase tão cínica quanto ele.
Lógico que trata-se de um biscoito fino destinado a um público bastante específico, amante de sabores agridoces. David França Mendes consegue o equilíbrio entre leveza e densidade, diversão e drama. Conceitual sem ser chato, o alto astral é a tônica do filme.

Cotação: @@@@ Ótimo